Colesterol e Dieta Low Carb – O meu compromisso como autora desse site é escrever conteúdo que responde às dúvidas mais comuns de quem está iniciando na Vida Low Carb, sendo assim não tenho como escapar de um assunto bastante polêmico: a dieta low carb e o colesterol.

Primeiro, um aviso muito importante: eu não sou profissional de saúde, então nada do que eu vou tratar aqui substitui a orientação do seu médico, ok?

Apesar disso sou curiosa, apaixonada pelo assunto e trago nesse artigo todas as pesquisas científicas disponíveis sobre o assunto.

 

 

A internet é essa maravilha: ao mesmo tempo que há muita informação ruim, as pesquisas científicas que antes eram acessíveis apenas para as pessoas da área, agora estão disponíveis para quem estiver disposto a estar por dentro e souber ler em inglês, direto da fonte, sem intermediários.

Então vamos lá. As duas perguntas que eu recebo com mais frequência são essas:

 

  • Tenho colesterol alto, posso fazer essa dieta?
  • Essa dieta libera o consumo de gordura saturada, não vai aumentar meu colesterol?

 

Mas antes de responder essas e outras perguntas mais frequentes, preciso colocar algumas questões que ajudam a estabelecer um pano de fundo histórico sobre o assunto colesterol:

 

Colesterol e Dieta Low Carb | Fato número 1:

A origem da fobia generalizada do colesterol é uma pesquisa científica de caráter duvidoso,
cujos achados nunca conseguiram ser comprovados

 

Cientistas pesquisando em computador

 

Já contei essa história em outro artigo, vou colocar aqui:

A fobia de gordura que existe hoje começou nos Estados Unidos, a partir de um estudo tendencioso realizado pelo cientista Ancel Keys, em 1953.

Resumindo, o Sr. Keys conduziu um estudo de correlação entre ingestão de gordura saturada versus incidência de doenças cardíacas em 22 países.

Na hora de publicar seus achados Mr Keys, muito espertamente, deixou no estudo apenas alguns poucos países que poderiam corroborar a teoria que ele tinha: de que era a gordura a responsável pelo aumento da incidência de doenças cardíacas.

Ancel Keys no início dos anos 60 passou a integrar a American Heart Association (AHA) que influenciava fortemente as diretrizes do governo americano.

A partir daí, a AHA acabou por recomendar a redução drástica do consumo de alimentos ricos em gordura saturada, dando início a uma confusão intelectual, um dogma que não só não ajudou em nada como fez um grande desserviço à população.

Como a ciência e a cultura americana exercem muita influência no resto do mundo (em especial no Brasil), esse dogma se espalhou pelo mundo todo e se tornou uma pérola da sabedoria convencional, uma daquelas coisas que todo mundo acha, mas não tem a mínima ideia do porquê.

Depois do estudo de Ancel Keys, foram conduzidos outros 2 estudos muito completos por muitos anos acompanhando a dieta de mais de 61 mil pessoas.

MRFIT: Multiple Risk Factor Intervention Trial ou Teste de Intervenção de Fator de Risco Múltiplo foi um estudo realizado de 1972 com 12.866 homens com grande risco de problemas cardiovasculares e durou sete anos.

Nele foi analisada a hipótese da diminuição da mortalidade ao se alterar os fatores de risco, tais como uma dieta pobre em gordura.

O grupo de estudo foi dividido em dois: um controle e outro que cessou com o tabagismo, tratou a hipertensão e manteve uma alimentação com pouca gordura saturada.

WHI: Women’s Health Initiative, Iniciativa da Saúde da Mulher, foi um estudo apenas com mulheres (48.835 delas) para analisar os efeitos de uma dieta baixa em gorduras com relação à ocorrência de câncer de mama e problemas cardiovasculares. Ele durou cerca de oito anos.

Em nenhum desses estudos foi possível comprovar que uma dieta com baixa gordura previne doenças cardíacas ou que o consumo de gordura saturada é prejudicial ao coração.

Bem pelo contrário, o consumo de gordura saturada aumenta as Lipoproteínas de Alta Densidade (HDL), que são chamadas de bom colesterol.

 

 

Colesterol e a Dieta Low Carb | Fato número 2:

O colesterol alto não é um marcador confiável para risco de doenças cardíacas

 

É importante esclarecer aqui que o colesterol é uma taxa, não uma doença. Portanto, não há sentido em se tratar a taxa do colesterol em si, mas sim os fatores de risco que levam uma pessoa a ter doenças cardíacas.

Sempre será mais fácil tentar achar um efeito para uma causa, mas o problema é que há muitas outras variáveis interligadas ao risco de uma doença cardíaca que não se resumem em uma taxa de colesterol.

A análise completa do perfil lipídico pode auxiliar na prevenção de um problema cardíaco, mas em conjunto com outras informações que indiquem o risco. Ah, e já há estudos comprovando que não há associação entre o consumo de gordura saturada e doenças cardiovasculares, viu?

 

Colesterol e a Dieta Low Carb | Fato número 3:

A obesidade sim é um fator de risco importante para doença cardíaca (entre outras doenças)
e low carb é a maneira mais efetiva para tratamento da obesidade

 

Evolução no emagrecimento

 

Analisar fatores de risco que levem uma pessoa à um problema cardíaco é de extrema importância, e um desses grandes fatores é a obesidade. Não sou eu apenas dando minha opinião, mas sim diversos estudos científicos falando sobre isso, como estes aqui: 1, 2.

E para tratar esse fator de risco, nada mais efetivo que cortar pães, massas, bolos e alimentos extremamente processados e ricos em amido e açúcares.

Focando em uma alimentação de verdade, rica em gorduras naturais (azeite de oliva, manteiga, óleo de coco e afins), moderada em proteínas e baixa em carboidratos, quebrando com o ciclo eterno de fome.

Agora sim, podemos responder às perguntas!

 

Tenho colesterol alto, posso fazer essa dieta?

 

Pode, sim! Para quem tem números considerados ruins, especialmente de triglicérides, que são causados pelo consumo excessivo de carboidratos e não de gorduras, os números devem melhorar, na maioria dos casos.

 

Essa dieta libera o consumo de gordura saturada, não vai aumentar meu colesterol?

 

Uma minoria das pessoas experimenta aumento das taxas em razão da ingestão de gordura saturada.

Isso não significa que a pessoa não possa diminuir o consumo de carboidratos. Para esses casos o ideal é continuar o low carb priorizando gorduras monoinsaturadas como a do azeite, do abacate e das nozes.

 

Abacates em um recipiente

Abacates: ricos em gorduras monoinsaturadas

 

Para ficar de consciência limpa sobre o colesterol, faça um exame. Se o resultado estiver dentro da normalidade, coma comida de verdade sem medo de ser feliz! Nenhuma condição de saúde justifica uma dieta rica em açúcar e farinha. Cortando esses dois itens apenas você já terá benefícios muito importantes.

Como eu já expliquei antes, o LDL alto não é um bom marcador para doença cardíaca e 75% das pessoas que realmente tem doença cardíaca não tem o LDL alto.

 

 

Tomo remédios para baixar o colesterol, como fazer?

 

Novamente, acho importante frisar: não sou médica. Mas isso não me impede de comentar com você uma coisa importante sobre as estatinas, os remédios receitados para quem está com os números fora do considerado normal pelos exames.

As estatinas reduzem pouco o risco de morte para quem não tem doença cardíaca. Veja esse artigo sobre o NNT, ou Número que Necessita ser Tratado, em relação à eficácia desse tipo de medicação na prevenção de problemas cardíacos.

O mais interessante é que estudos apontam um crescimento do mercado de estatinas (em 2011 estava avaliado em MEROS 20,5 bilhões de dólares) e preveem que esse mercado seja avaliado em 12,2 bilhões de dólares até 2018.

Aí você pensa: mas, Mariana, então isso é uma coisa boa, já que vai diminuir o mercado das estatinas! Pois então… não. Essa queda é prevista devido à ampla concorrência de remédios genéricos com o mesmo objetivo das estatinas!

 

Cartelas de medicamento

Estatinas e genéricos, muito dinheiro em jogo!

 

Agora deixo para vocês concluírem por si sós: Por quê será que o mercado de estatinas e genéricos informaria que apenas um pequeno grupo é beneficiado pelas suas drogas?

 

Comer mais gordura influencia os níveis de colesterol?

 

Respondo essa e outras dúvidas sobre a ingestão da gordura natural dos alimentos em um Guia super completo sobre o assunto aqui.

 

Tomo remédios para baixar o colesterol, devo parar?

 

Eu jamais poderia te dizer o que fazer sobre a sua medicação, no entanto há médicos como o próprio Dr. Souto que já explicaram sobre as estatinas e indicaram bons conteúdos que esclarecem sobre esse assunto, como linkei lá em cima.

Utilizando de um termo estatístico pouco conhecido, chamado Número que Necessita ser Tratado (NNT), pode-se ver que as drogas utilizadas no tratamento do colesterol só funcionam para um número restrito de pacientes com doença pré-existente.

É claro que as empresas farmacêuticas focam no números de vendas desses produtos e não na efetividade individual desses tratamentos. E isso serve não só para remédios para o colesterol, mas com relação a efetividade das drogas em geral.

No final das contas, as mudanças no estilo de vida são muito mais impactantes do que o uso de remédios. As pessoas preferem ignorar esse fato, insistindo na crença de que tomando remédios e se alimentando de qualquer jeito vão resolver o problema.

E digo mais: isso ocorre da mesma forma que as pessoas que acreditam que vão emagrecer bebendo um determinado chá (pura cilada, minha gente).

 

Chá de ervas

Não existe chá milagroso para emagrecer!

 

Há uma fixação no número do colesterol, mas no fundo a grande maioria das pessoas que usa das medicações para baixar essa taxa tem baixíssimas chances de se beneficiar com a medicação.

Nenhuma condição de saúde justifica uma dieta rica em açúcar e farinha. Cortando esses dois itens apenas você já terá benefícios visíveis, como você pode perceber na conversa que tive com o dr. José Carlos Souto aqui.

E você, já mediu seu colesterol, tem números dentro do considerado normal?

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