Tratar da menopausa low carb, seja para prevenir ou para viver por esse período da vida de forma mais saudável é essencial.

Sabendo disso, conheci o trabalho incrível da médica ginecologista Waleska, que propõe uma menopausa com autonomia (amei essa concepção!).

Óbvio que, sabendo da sua ligação com uma alimentação low carb, aproveitei para entrevistá-la sobre as maiores dúvidas quando se trata de menopausa e low carb!

Veja a entrevista completa:

 

Menopausa Low Carb

É mais difícil perder peso com low carb na menopausa?

É mais fácil perder peso com a low carb em qualquer faixa etária. Considerando que na menopausa, onde geralmente temos dificuldade da perda de peso pelas mudanças acarretadas com a diminuição dos estrogênios e testosterona, a low carb dá um bom empurrão, digamos, para a mulher seguir na sua busca. Quando entramos na menopausa, a tendência é diminuir a massa magra e isso acaba diminuindo o metabolismo. Por isso a dificuldade em perder peso, comparada à uma jovem. Vai perder peso sim, mas em uma velocidade menor. E vai ganhar outros benefícios junto…

 

A menopausa nos faz engordar?

Pergunta frequente. Depende. De forma genérica, sim, pelo exposto acima, já que queimamos menos gordura com a diminuição do metabolismo. Mas isso de longe não é regra. Muitas mulheres se mantêm magras ou emagrecem. Depende da genética, do uso de medicamentos, de doenças concomitantes, do balanço calórico, da atividade física, do emocional, do sono… Cada uma é uma “caixinha de surpresas” 😉

 

Posso manter uma dieta low carb na menopausa?

Se você está bem adaptada e sente-se bem, sim. O ideal é fazer uma boa revisão médica, incluindo exames laboratoriais, para analisar sua condição atual e programar ajustes necessários. Muitas vezes se observa o aparecimento de diabetes nessa faixa etária e a low carb pode ajudar muito. O maior cuidado é a manutenção e ganho de massa magra. É preciso revisar a atividade física para não perder mais ainda da musculatura, além de uma consulta nutricional.

 

Há algum tipo de restrição para quem está na menopausa consumir menos carboidratos?

Algumas doenças concomitantes devem ser avaliadas. Paciente que faz uso de insulina precisa revisar as dosagens, quimioterápicos. Pessoas muito magras e com sarcopenia devem ser avaliadas. Sugiro sempre uma consulta prévia pra se entender a escolha e revisar os prós e contras de cada caso.

 

A reposição hormonal atrapalha no emagrecimento?

Muitas vezes, sim. Seja por retenção de líquidos, por aumento do apetite ou por certa ansiedade, muitas mulheres observam ganho de peso por volta de 3-5kg, que tende a estabilizar. E muitas notam emagrecimento, pela melhora na qualidade de vida e disposição. Uma dieta com balanço calórico bem feito, com baixo carboidrato, exercícios moderados com disciplina e assiduidade, além de boas noites de sono, vão lhe ajudar muito a manter ou diminuir seu peso, caso necessite de reposição hormonal.

 

Como perder gordura e ganhar massa magra na menopausa?

Ah, isso é tema de um congresso inteiro. Muito já foi falado. A perda de gordura é praticamente relacionada com a dieta escolhida e a low carb é uma das que melhor responde, mas existem outras estratégias. Tudo depende da pessoa, dos seus gostos, do ritmo de vida. O simples fato de retirar a farinha, os industrializados e o açúcar da sua alimentação, já será um fator determinante para a mudança corporal que qualquer um pretende, independente da idade. Mas na menopausa, o tempo grita e o medo chega. Queremos qualidade de vida, queremos ser longevas com autonomia. E muito do que não foi plantado na criança ou juventude, agora grita. E o medo chega… Então é aquela correria pra recuperar o tempo perdido. Não existe milagre. É rever as escolhas com um profissional e treinar muito, de preferência exercícios com resistência, como musculação. Não é passear na academia: é fazer com intensidade e foco, como você nunca fez antes. E com liberação médica prévia, claro. Não é se “entupir” de suplemento. É na comida boa e treino eficiente que teremos nossas respostas, ainda que mais lentas.

 

O que posso fazer para aliviar os sintomas da menopausa?

Primeiro, um trabalho de visualização prévio, no climatério, onde se visualiza uma menopausa de poucos ou nenhum sintoma, tranquila e saudável. Ok, você pode não ter feito isso. Então vai depender da sua história de vida, da sua genética, da intensidade dos sintomas… Algumas se aliviam com chás, tipo folha de amora; outras com fitoterapia em cápsulas; homeopatia; acupuntura; meditação; atividade física; antidepressivos; etc. Outras, somente com reposição hormonal mesmo. Tudo depende também do grau que eventuais sintomas estão influenciando na sua qualidade de vida e as contra-indicações de cada caso. Há bastante recursos para as diversas situações e filosofias de vida. O que se sabe também é que o sobrepeso/obesidade tende a piorar os sintomas. Tem muita inflamação envolvida, por isso a mudança na alimentação também vem contribuir para amenizar a intensidade e frequência de um dos mais desagradáveis – o fogacho (calorões) – com a diminuição do peso corporal.

 

Uma alimentação mais natural, como a low carb, pode ajudar a reverter os sintomas da menopausa?

Já falei um pouco. Reverter seria o extremo, mas amenizar muito sim, é possível. A retirada do açúcar mostra uma resposta bem rápida. Uma dieta com base em legumes, verduras, proteínas, sem carnes processadas, sem industrializados encaixotados sabemos lá há quanto tempo nas prateleiras, vai equilibrando o organismo como um todo, reduzindo peso, melhorando flora intestinal, recuperando os micronutrientes que precisamos para tantas funções fisiológicas. A soma de tudo isso pode contribuir positivamente para amenizar muitos dos sintomas, melhorar a autoestima e otimizar a energia.

Antes de terminar, quero chamar a atenção para as Doenças Crônicas Não Transmissíveis – diabete, hipertensão arterial, doenças do aparelho respiratório e câncer.

São as principais causas de mortalidade no nosso meio. E, se pensarmos que elas aumentam com a faixa etária, com uma alimentação inflamatória, sedentarismo e tabagismo, muita coisa conseguimos fazer ANTES delas aparecerem ou dos nossos genes serem ativados, se a genética está no seu histórico.

Então entra a beleza da PREVENÇÃO e da AUTO RESPONSABILIDADE, quando você passa a ser o autor da sua história, o diretor das suas escolhas, boas e ruins.

Não é o médico, não é seu marido, sua mãe, o prefeito. É você que precisa trabalhar a motivação interna e mudar seu estilo de vida. Se imagine no futuro, em 1 ano, em 5 , em 10 anos… Como você quer estar? Como estão seus familiares mais velhos? Saudáveis ou adoecidos?

Tenha como base eles para fazer diferente, se for o caso. Se imagine fazendo as coisas que gosta, andando de bicicleta, viajando, ajudando um amigo, fazendo uma bela caminhada… Então busque essa sensação para mudar, para procurar informação e ajuda.

Queremos envelhecer com saúde, com AUTONOMIA, com qualidade de vida, com paz, com humor… Mudanças de hábitos requerem trabalho emocional, mas sempre são possíveis. Encontre a motivação ou vai sem ela mesmo – ela virá. Não desista de si, não se acomode com menos, não se abandone no caminho. Todo mundo pode melhorar em algo, todo mundo. Em especial na menopausa, acredite.

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